Você vai atravessar o Lago Atitlán de barco saindo de Panajachel, caminhar pelas ruas cheias de murais de San Juan com seu guia, assistir mulheres maias criando tinturas naturais para seus tecidos, conhecer a comunidade Tz’utujil em Santiago Atitlán — visitando Maximón e se envolvendo no dia a dia local antes de voltar pelo lago com lembranças para guardar para sempre.
O dia inclui encontro com seu guia maia local no hotel em Panajachel, todos os trajetos de barco pelo Lago Atitlán entre as vilas, demonstrações ao vivo de tingimento natural feitas por artesãs maias, caminhadas guiadas por San Juan La Laguna e Santiago Atitlán — incluindo entrada em locais culturais como Maximón — com coletes salva-vidas para segurança durante todo o passeio, retornando de barco à tarde.
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San Juan La Laguna me atingiu primeiro pelas cores — paredes cobertas por murais vibrantes, mulheres rindo atrás de pilhas de lenços tecidos. Entramos numa pequena oficina onde duas mulheres maias nos mostraram como extraem tinturas da casca de árvores e folhas; uma delas deixou eu esfregar um pouco entre os dedos. O cheiro era terroso, com um toque doce. Tentei repetir a palavra para índigo em Tz’utujil (com certeza errei feio), e todo mundo riu — inclusive eu. Miguel explicou que essas técnicas de tecelagem são passadas de geração em geração; ele contou que a avó dele ainda tece todas as tardes. Teve um momento em que uma das mulheres segurou um xale pronto contra a luz, e juro que consegui ver todos os tons de verde do lago entrelaçados ali.
Saímos de San Juan com um aperto no coração — tinha um cheiro de café sendo torrado ali perto que só dificultava a despedida — e pegamos o barco de novo rumo a Santiago Atitlán. Os cais estavam cheios: crianças correndo descalças, vendedores chamando em espanhol e Tz’utujil. Miguel nos guiou por ruas sinuosas até visitarmos Maximón, a divindade maia local, envolto em lenços e cercado por velas (o ambiente tinha cheiro de incenso e algo doce que eu não consegui identificar). Havia um respeito silencioso na forma como as pessoas o cumprimentavam; até Miguel baixou a voz. Depois, entramos numa igreja onde santos católicos dividiam espaço com símbolos maias — uma mistura que parecia ao mesmo tempo familiar e totalmente nova.
Ainda penso naquela vista do Lago Atitlán no caminho de volta — a água virando prata sob o sol da tarde, vilarejos escondidos entre vulcões como segredos guardados. Minhas mãos ficaram com um leve cheiro de tinta o dia todo. Nem tudo fez sentido para mim, mas de alguma forma isso não importava; estar ali já bastava.
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