Comece cedo no Pico do Arieiro e atravesse cristas dramáticas na trilha PR1 da Madeira, passando por túneis e flores silvestres até o Pico Ruivo, o ponto mais alto da ilha. Guias locais cuidam do ritmo e da segurança, enquanto os transfers garantem que você só precise se preocupar em caminhar e aproveitar as vistas incríveis acima das nuvens.
“Se tiver medo de altura, é só olhar para as flores,” brincou nosso motorista enquanto chegávamos ao Pico do Arieiro antes do nascer do sol. Não sabia se ele estava falando sério, mas confesso que minhas pernas já tremiam um pouco. O ar lá em cima tinha aquele cheiro frio e cortante — uma mistura de pedra e musgo molhado — e o céu ainda estava naquele tom cinza-azulado estranho que aparece bem antes do dia clarear de verdade. Éramos uns seis, todos com mochilas, tentando não demonstrar nervosismo. A guia, Joana, distribuiu lanternas para os túneis e avisou que levaríamos cerca de cinco horas para chegar ao Pico Ruivo, mantendo um ritmo constante. Na hora pensei: cinco horas parecem uma eternidade quando você está caminhando com as nuvens lá embaixo.
A primeira parte da trilha PR1 é cheia de cristas irregulares e caminhos estreitos — às vezes dava para ouvir cabras lá no vale, mas nunca as víamos. Joana apontava umas florzinhas amarelas pequeninas agarradas nas fendas das pedras (ela chamou de “estrelicia”, acho que escrevi errado). Em um trecho, entramos num túnel escavado na montanha; o cheiro era úmido e cada passo ecoava forte. Minhas mãos roçaram nas paredes ásperas — frias e arenosas — e tive que rir porque alguém na frente começou a cantar baixinho só para quebrar o silêncio. Paramos muito mais do que eu esperava, principalmente para admirar as nuvens mudando de forma ou recuperar o fôlego depois de subir aqueles intermináveis degraus de pedra.
Quando finalmente chegamos ao Pico Ruivo — o ponto mais alto da Madeira — eu estava suado, cansado e, de um jeito estranho, orgulhoso. A vista não era aquele azul cristalino de cartão-postal; era um mar branco de névoa com raios de sol surgindo de repente. Joana dividiu o sanduíche dela comigo (que tinha queijo e um toque apimentado), e por um momento ninguém falou nada. Talvez fosse o cansaço ou aquela sensação de perceber o quanto você avançou só com suas próprias pernas. Depois disso, o caminho foi quase todo descida até Achadas do Teixeira, onde nosso transporte nos esperava — pernas bambas, mas o coração cheio, sabe?
Essa caminhada exige boa forma física por conta das subidas íngremes, escadas e terreno irregular.
O percurso costuma levar cerca de cinco horas em ritmo constante com pausas.
Sim, transfers em veículo com ar-condicionado para buscar e levar estão inclusos.
Bebês devem ficar no colo de um adulto; há assentos especiais, mas a trilha não é recomendada para crianças pequenas.
Sim, há vários túneis nas montanhas ao longo do caminho; as lanternas são fornecidas pelos guias.
Use calçado resistente, leve água, lanches, roupas em camadas para o clima variável e proteção solar.
Não há almoço incluso; leve sua própria comida ou lanches para as pausas.
Não é recomendado para quem tem lesões na coluna, problemas cardíacos ou gestantes devido ao esforço físico.
Seu dia inclui transfers em veículo com ar-condicionado entre os pontos de início e fim da trilha, para que você só precise se preocupar em caminhar e curtir uma das trilhas mais famosas da Madeira com guia local.


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