Você vai remar 14km pelo Rio Tongariro com um guia local, encarar cerca de sessenta corredeiras nível 3, avistar os raros patos whio se tiver sorte e trocar histórias no base com fotos e risadas. A emoção fica com você muito depois de secar.
Seu dia inclui todo o equipamento essencial para rafting — roupa de neoprene, capacete, sapatos para rio, além de luvas e fleece no inverno — um briefing completo de segurança antes de encarar cerca de 60 corredeiras com seu guia local ao longo de 14km do Rio Tongariro. O transporte do Centro de Rafting até o ponto de entrada do rio e o retorno também estão garantidos, para você focar só em remar (e quem sabe avistar um pato azul ou outro).
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Ler todas as avaliações ›“Relaxa, você vai se molhar de qualquer jeito,” sorriu o Tama enquanto me entregava um capacete que ainda cheirava a musgo do rio e neoprene. Ele já guiava no Rio Tongariro há anos, mas dava pra ver que ele ainda curtia ver a reação dos novatos encarando as corredeiras. A manhã estava fria, meu hálito fazia fumaça, mas assim que vestimos as roupas de neoprene (minha parte menos elegante), ninguém parecia ligar pro frio.
A viagem de van até o ponto de entrada no rio foi tranquila — todo mundo analisando os remos ou rindo nervoso das histórias do Tama sobre trutas tão grandes que devoravam ratos. Quando finalmente entramos na água, ela estava mais gelada do que eu esperava e meu coração batia forte. As primeiras corredeiras vieram rápido; mal deu tempo de pensar antes da água bater no meu rosto e alguém atrás de mim gritar tão alto que o som ecoou nas pedras. Em algumas curvas, o cheiro forte de pinho invadia o ar — talvez das florestas que se inclinavam sobre nós — e de vez em quando o Tama gritava “esquerda!” ou “direita forte!” e a gente tinha que obedecer na hora.
Não esperava ver patos azuis (whio) parados nas pedras, mas lá estavam eles — um até nos olhou como se estivéssemos atrapalhando sua rotina matinal. Entre as corredeiras, havia trechos estranhamente tranquilos onde só se ouvia o som dos remos na água e o canto dos tui lá em cima no rio. No começo, minhas mãos ficaram dormentes de segurar o remo com força demais, mas depois virou normal — até libertador, na real.
De volta ao Centro de Rafting, todo mundo tirava o neoprene com aquela coordenação meio desajeitada que só quem enfrenta umas sessenta corredeiras junto conhece. Assistimos ao vídeo (pareço um bobo em câmera lenta), trocamos histórias e tentamos lembrar quem gritou primeiro. Até hoje às vezes me pego pensando naquele trecho do rio — a luz refletindo nas falésias vulcânicas ou a risada do Tama quando eu pronunciei “Tongariro” errado.
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