Você vai caminhar acima de vilas berberes nas Montanhas do Atlas com um guia local e uma mula, enfrentando uma boa subida antes de compartilhar um almoço fresquinho a 2500m. Prepare-se para ar puro, conversas sinceras e tempo para respirar de verdade — não é só mais um passeio rápido saindo de Marrakech.
A caminhada leva cerca de 7 horas no total, incluindo a subida e o almoço em altitude.
Sim, o transporte até o ponto de encontro em Marrakech ou nas proximidades está incluso.
O almoço é servido a aproximadamente 2500 metros acima do nível do mar.
Sim, um cozinheiro prepara um almoço fresquinho a 2500m durante o passeio.
É necessário ter preparo moderado para caminhar subindo por cerca de 3 horas.
Você passará por várias vilas berberes e pode parar em uma feira caso o passeio seja no sábado.
Sim, essa caminhada tem mais de 900m de subida e dura muito mais que as trilhas curtas comuns na região.
O dia inclui transporte do seu hotel em Marrakech ou região próxima, água engarrafada durante a trilha, acompanhamento de um guia local que conhece cada detalhe do caminho, além de mula e cozinheiro preparando um almoço fresquinho nas alturas, com vista para vilas berberes, antes de voltarmos no fim da tarde.
“Vai precisar de mais água,” nosso guia Youssef sorriu, me entregando outra garrafa assim que chegamos em Imlil. O ar estava mais puro que em Marrakech — parecia lavado durante a noite. Tinha um leve cheiro de fumaça de lenha e hortelã no ar, talvez o chá matinal de alguém. Conhecemos a mula (acho que o nome dela era Zina?) e o cozinheiro que ia nos acompanhar — os dois pareciam conhecer cada curva dessas montanhas de cor. Já tinha lido sobre trilhas no Atlas, mas não esperava que a primeira hora fosse tão silenciosa, só o som dos nossos passos no cascalho e o canto distante de algum galo lá embaixo.
Perdi a conta dos ziguezagues até minhas pernas começarem a queimar. Youssef apontava velhos canais de irrigação e pequenas vilas berberes escondidas nas encostas — dava pra ver crianças acenando dos telhados, se prestasse atenção. Em um momento, ele nos ensinou a dizer “obrigado” em tamazight; tentei falar, provavelmente errei feio, mas ele só riu. A subida fica de verdade lá pela metade — não é perigosa, mas é uma subida constante por horas. Confesso que pensei em voltar umas duas vezes (não conta pra ninguém). Mas aí você chega numa crista onde tudo se abre: picos nevados longe, vento no rosto, silêncio só quebrado pelo som distante de sinos de cabras. Essa vista ficou marcada em mim.
O almoço chegou bem na hora certa — preparado numa fogueira pequena a 2500m pelo nosso cozinheiro silencioso (nunca peguei o nome dele), que de alguma forma fez um pão mais macio do que qualquer coisa que comi em Marrakech. Sentamos nas pedras, com as mãos ainda tremendo um pouco da subida. A comida tinha um sabor simples e terroso; talvez fosse só fome, mas juro que tomate nunca pareceu tão doce. Depois, ninguém tinha pressa — ficamos ali deixando o sol esquentar as costas até alguém lembrar que era hora de descer antes que as nuvens chegassem. Meus joelhos reclamaram na descida, mas sinceramente? Faria tudo de novo amanhã.

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