Você vai caminhar por vilas antigas onde o tempo parece parar, explorar trilhas selvagens da Montanha Amarela acima do mar de nuvens e ver o nascer do sol de picos lendários com seu guia particular. Prepare-se para comida de verdade, conversas sinceras com locais e momentos para simplesmente respirar e guardar cada detalhe na memória.
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Ler todas as avaliações ›A primeira coisa que lembro é o som — uma chuva leve batendo nas telhas antigas da vila de Hongcun. Nossa guia, a senhora Chen, nos chamou para perto de um lago onde homens mais velhos jogavam cartas sob um salgueiro. O ar tinha cheiro de pedra molhada e fumaça de lenha; parecia que o tempo tinha desacelerado só para a gente. O almoço foi um tipo de ensopado de tofu (esqueci o nome, mas tinha um sabor defumado e terroso), comemos em um quarto com assoalho rangendo e pergaminhos desbotados na parede. Tentei agradecer em mandarim — o Li riu e corrigiu, e isso me fez sentir mais acolhido do que se eu tivesse acertado.
No dia seguinte, saímos de Tunxi ainda com a cidade despertando. Na base da Montanha Amarela, as nuvens abraçavam as encostas tão firmemente que não dava para ver a dez metros à frente. O teleférico subindo era silencioso, só o barulho da máquina e meu coração acelerado (não sou fã de altura). Quando chegamos no Templo Yungu, tudo mudou — o ar ficou mais frio, mais nítido. Os pinheiros cresciam entre as pedras como se alguém os tivesse pintado com humor. Nosso guia passa mais de 200 dias por ano ali — ele apontou o Pinheiro Guarda-Chuva e o Pinheiro Tigre Negro pelo nome, como velhos conhecidos.
A caminhada pelo Grand Canyon do Mar Oeste demorou mais do que eu esperava — minhas pernas já estavam bambas na segunda volta — mas parar para ver a névoa deslizar entre picos irregulares me fez esquecer o cansaço por um tempo. Tem um lugar chamado Pedra que Voa que parece impossível; toquei só para ter certeza que era real. Vimos o pôr do sol no Pico Brilhante com umas dez pessoas ao redor — sem multidão, só o vento e aquela luz dourada estranha que só aparece em altitude. O jantar no hotel da montanha foi o melhor que já comi depois de uma trilha longa (talvez porque finalmente pude sentar).
Acordar antes do amanhecer para o nascer do sol no Terraço Refrescante não foi fácil — quase perdi o alarme — mas ficar ali no frio vendo a luz do sol invadir o Pico do Leão valeu cada arrepio. Em dias claros, dá para ver um mar de nuvens lá embaixo; o nosso foi metade névoa, metade espetáculo de luz, mas lindo do jeito dele. Depois, passeamos pela Rua Antiga de Tunxi procurando bastões de tinta na Fábrica de Tinta Hu Kaiwen — tem algo relaxante em ver gente moendo tinta à mão depois de tanta aventura na montanha.
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