Você sai antes do amanhecer para uma caminhada guiada do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo — o ponto mais alto da Madeira — com um grupo pequeno. Veja as nuvens se moverem sob seus pés enquanto o guia local conta histórias na trilha PR1, e visite as casas tradicionais de Santana antes de voltar com as pernas cansadas e lembranças novas.
“Você não vai querer dormir na van,” disse nosso guia João com um sorriso enquanto subíamos o último trecho até o Pico do Areeiro. Ele tinha razão — mesmo sendo quase 5 da manhã e eu com só metade do café tomado, o ar gelado despertava qualquer um. Os faróis iluminavam tufos de grama selvagem e, por um instante, pensei em desistir (não sou exatamente uma pessoa matutina). Mas quando saímos, havia um silêncio total — só o vento e aquele cheiro frio e terroso que só se sente nas montanhas antes do sol nascer. Éramos uns seis, todos meio sonolentos, enrolados em jaquetas emprestadas, esperando o céu se transformar.
Não imaginei que seria tão rápido. Num minuto estava tudo escuro e você começa a duvidar das suas escolhas; no outro, surge uma linha rosada e todo mundo para de falar. João apontou onde o Pico Ruivo se escondia na escuridão — “o ponto mais alto da Madeira,” disse, batendo com a bengala no chão como se fosse dono do lugar. Começamos a andar pela PR1, que ele chamou de “a espinha dorsal da ilha.” O caminho é pedregoso, mas firme (leve um bom tênis), e às vezes nuvens densas passam tão perto que dá pra sentir a umidade no ar. Em certo momento tentei cumprimentar outro caminhante com um ‘bom dia’ e acabei atrapalhando tudo — João riu tanto que quase derrubou a garrafa térmica.
A subida não é fácil, mas também não é impossível se você for devagar. Parávamos de vez em quando para ouvir as histórias do João sobre antigos pastores ou como o clima muda tudo por aqui. Às vezes só se ouvia o barulho das botas no chão ou alguém resmungando baixinho sobre as pernas cansadas. Quando finalmente chegamos ao Pico Ruivo, o sol já tinha dissipado a maior parte da neblina e havia um silêncio estranho — como se todo mundo tivesse esquecido o que ia dizer. Até hoje penso naquela vista: nuvens lá embaixo e a luz do sol iluminando Santana lá longe.
Na volta, passamos pelas casas típicas de Santana (aquelas com portas vermelhas e telhados de colmo). Confesso que eu só queria sentar, mas o João insistiu para darmos uma espiada dentro de uma. Tinha um cheiro leve de fumaça de lenha e algo doce assando por perto — não faço ideia do que era, mas me deu fome mesmo sem ser meio-dia ainda. Enfim, eu faria essa trilha ao amanhecer de novo só por aquele primeiro instante de silêncio no topo da Madeira.
A trilha PR1 do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo leva algumas horas, dependendo do ritmo; espere uma manhã inteira com paradas.
Sim, o transporte de ida e volta do hotel está incluído nas áreas de Caniço e Funchal; o horário varia conforme a estação.
Leve roupas confortáveis, calçado resistente, água, lanches ou comida para piquenique e roupas em camadas para sol e frio de montanha.
O grupo pequeno tem no máximo 8 viajantes por reserva.
Bastões de caminhada estão disponíveis se solicitados com antecedência.
A idade mínima é 10 anos; é recomendada boa condição física.
O tour funciona em todas as condições climáticas, desde que seja seguro; vista-se adequadamente para o clima de montanha.
Sim, há opções de transporte público próximas caso precise.
Seu dia inclui transporte cedo do hotel em Caniço ou Funchal (ou perto do porto), guia local certificado com muitas histórias na trilha PR1 entre Pico do Areeiro e Pico Ruivo, bastões de caminhada se pedir antes, além de paradas nas casas tradicionais de Santana antes do retorno ao hotel ou ponto de encontro.
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