Você vai flutuar nas nascentes surreais do Jalapão onde afundar não é opção, subir antes do sol para um céu repleto de estrelas, compartilhar refeições com famílias quilombolas que ensinam mais que qualquer guia, e terminar cada dia cansado, mas feliz, entre cachoeiras e risadas ao redor da mesa.
Quase perdi meu voo para Palmas porque fiquei na dúvida sobre qual sandália levar — no fim, devia ter trazido qualquer par que não me importasse de sujar com a poeira vermelha. Quando aterrissamos, o calor foi o primeiro impacto (como abrir um forno), e logo nosso guia Lucas nos encontrou na chegada com uma plaquinha com meu nome rabiscado em marcador azul. Ele riu quando tentei falar “Taquaruçu” — até hoje acho que não acertei. Nossa primeira noite em Palmas foi tranquila, só o barulho do ar-condicionado e uma música distante vindo de algum lugar na rua.
Na manhã seguinte, começamos cedo — Lucas tinha um jeito de fazer até um passeio de 4x4 cheio de solavancos parecer parte da aventura. A estrada para Taquaruçu serpenteava entre colinas verdes e, de repente, estávamos no topo da que dizem ser a tirolesa mais longa do norte do Brasil. Minhas mãos tremiam mais de nervoso do que de empolgação, mas depois daquela adrenalina (e muitos gritos), refrescamos na cachoeira Roncadeira. A água era gelada a ponto de tirar o fôlego. O almoço foi simples — arroz, feijão, peixe grelhado — e comemos ao ar livre enquanto galinhas circulavam aos nossos pés. Mais tarde, sentamos com a família da Dona Maria para quebrar cocos de babassu; ela mostrou como as mãos dela se mexem tão rápido que parecia mágica. O cheiro do coco queimado ficou na minha camisa por horas.
Jalapão é enorme — de verdade — e as distâncias se medem mais em horas do que em quilômetros. Entre Ponte Alta e Morro da Pedra Furada, a paisagem começou a parecer quase marciana: terra vermelha, céu azul e um vento seco que parecia secar os lábios. A Lagoa do Japonês foi bem diferente do que eu imaginava — a água tão transparente que dava para ver os dedos dos pés mesmo quando você flutuava no meio (o que é estranho aqui; esses “fervedouros” te empurram para cima e você não afunda). Lucas explicou que é por causa da pressão de uma nascente subterrânea — eu só sei que parecia estar sendo segurado por mãos invisíveis.
Os dias foram se misturando: comendo paçoca de carne seca com os moradores da Comunidade Quilombola Rio Novo (tentei fazer em casa — digamos que a minha não ficou boa), vendo o pôr do sol dourar as dunas do Jalapão enquanto todo mundo ficava em silêncio por um instante sem ninguém explicar o motivo. Certa manhã, subimos a Serra do Espírito Santo antes do amanhecer; minhas pernas doíam, mas quando chegamos ao topo e vimos um céu cheio de estrelas — mais do que eu já tinha visto na vida — valeu cada passo. Tomamos café adoçado com rapadura depois de nadar na Cachoeira do Formiga; honestamente, essa foi minha lembrança favorita de todo o passeio pelo Jalapão.
No último dia, descemos o rio de rafting passando pela Praia das Araras — todo mundo rindo quando alguém espirrava água demais ou perdia o chapéu — e depois paramos no Fervedouro do Alecrim para um último mergulho flutuante. É curioso como você se acostuma rápido a acordar com a poeira vermelha sob as unhas e dormir ouvindo o coaxar dos sapos pela janela. Na volta para Palmas, passando pelo Morro da Catedral sob o sol da tarde, ninguém falou muito. O silêncio parecia cheio de significado — sabe como é?
O tour pelo Jalapão tem 6 dias, incluindo os dias de chegada e saída em Palmas.
Sim, o transfer do aeroporto ou hotel em Palmas está incluso no início e no fim da viagem.
Fervedouros são nascentes naturais de água doce onde a pressão subterrânea te mantém flutuando — são exclusivos do Jalapão.
Os almoços estão incluídos na maior parte dos dias, geralmente compartilhados com famílias locais ou associações comunitárias.
O tour é adequado para a maioria dos níveis de preparo físico, mas inclui manhãs bem cedo e caminhadas moderadas; bebês precisam ficar no colo de um adulto.
Não é necessário; todo o equipamento obrigatório é fornecido antes do rafting no último dia.
Você ficará em pousadas com banheiro privativo, ar-condicionado e chuveiro elétrico durante todo o percurso pelo Jalapão e em Palmas.
Sim — você visitará várias comunidades quilombolas, onde poderá participar de preparos de comida e atividades artesanais com os moradores.
Seu roteiro de seis dias inclui transfers de aeroporto ou hotel em Palmas nos dois sentidos, todo transporte terrestre em veículo 4x4 compartilhado com ar-condicionado, entradas para todas as nascentes e cachoeiras do percurso, acompanhamento de guia motorista ambiental local em cada passeio pelo Jalapão, quatro experiências imersivas em comunidades quilombolas — incluindo refeições tradicionais — além de seguro contra acidentes e água potável sempre disponível a bordo.
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