Você vai pilotar seu próprio quadriciclo pela costa norte de São Miguel, subindo trilhas enlameadas de rally com um guia local rumo às lagoas vulcânicas de Sete Cidades. Prepare-se para mudanças rápidas no clima, vistas incríveis do Pico da Cruz e momentos simples — como rir das luvas sujas ou recuperar o fôlego acima das lagoas azul-esverdeadas — que ficam na memória muito depois do passeio.
É importante saber dirigir quadriciclos ou veículos parecidos para garantir a segurança; motorista precisa ter carteira de habilitação válida.
O passeio começa e termina em Fenais da Luz, na costa norte de São Miguel.
Não há traslado; o ponto de encontro é em Fenais da Luz para a saída.
O cume do Pico da Cruz (845m), trilhas de rally perto das lagoas da cratera, mirantes no Cerrado das Freiras e a vila de Capelas.
Não, o almoço não está incluso; leve lanches para os momentos de parada.
Leve casacos quentes e capa de chuva — o tempo muda rápido — e calçados que possam sujar de lama.
A duração exata não está especificada, mas espere várias horas explorando trechos asfaltados e off-road ao redor de Sete Cidades.
Seu dia inclui um guia local em todas as paradas, combustível para o quadriciclo pelas trilhas acidentadas de São Miguel, capacetes para segurança (e algumas risadas), além de seguro completo para você curtir as vistas da cratera sem preocupações.
Segurando firme o guidão do quadriciclo, ainda sentia o cheiro da chuva da noite passada na terra enquanto saíamos de Fenais da Luz. Nosso guia, João, acenou com aquele típico olhar açoriano — metade incentivo, metade “vai dar tudo certo”. O começo foi tranquilo, só asfalto e uma brisa salgada da costa norte. Mas logo entramos nas estradas de terra e a aventura ficou de verdade, com lama vermelha espirrando nas minhas botas. Eu ficava pensando que ia errar a troca de marcha, mas o João só sorria toda vez que eu parava o motor. Ele falou algo sobre “curvas de aprendizado” e apontou para as montanhas que começavam a surgir à frente.
A subida até o Pico da Cruz foi mais íngreme do que eu esperava — meus braços doíam de tanto desviar das pedras — mas quando paramos no topo (845 metros, disse o João), tudo ficou em silêncio, só o vento mexendo na grama. Lá embaixo estava Sete Cidades, aquelas lagoas verde e azul parecendo quase de outro mundo pela névoa. Alguém tentou tirar uma selfie, mas desistiu porque as mãos tremiam demais depois do passeio. Eu só fiquei ali, respirando o cheiro de eucalipto e musgo úmido, sem falar muito. Era como estar numa varanda de frente para outro planeta.
Depois seguimos por mais trilhas de rally — o João brincou que era seu “atalho”, mas parecia que queria que a gente sentisse cada solavanco. Passando pelo Cerrado das Freiras e pela vila de Capelas (a chaminé da antiga fábrica de baleias ainda de pé), dava para sentir o cheiro de vacas por perto e ver os velhinhos acenando dos jardins. Meu capacete embaçava toda vez que parávamos perto das lagoas; eu ria de mim mesmo tentando limpar com as luvas sujas de lama. O tempo mudava a cada vinte minutos — sol, garoa, sol de novo — mas ninguém parecia se importar.
Quando voltamos a Fenais da Luz, o João deu um tapinha no meu ombro e perguntou se eu faria tudo de novo. Sinceramente? Ainda penso naquela vista do Pico da Cruz quando o barulho da cidade aperta. Então, sim — provavelmente faria.
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