Você vai percorrer vilarejos berberes e pomares de nogueira com um guia local antes de encarar a montanha mais alta do Marrocos nesse trekking de dois dias saindo de Marrakech. Prepare-se para madrugadas, refeições reforçadas no refúgio do Toubkal, vistas do nascer do sol acima dos 4.000 metros e momentos de silêncio que só surgem quando você está lá no topo.
Essa caminhada é considerada difícil por causa da altitude e dos caminhos íngremes; é recomendado ter boa forma física.
Sim, o transporte de ida e volta do hotel em Marrakech está incluso no passeio.
Você pode alugar o equipamento necessário em Imlil antes de começar a subida.
Você passa uma noite no refúgio do Toubkal, um abrigo a 3.200 metros de altitude.
Sim — café da manhã, almoços (incluindo piquenique), jantar, café e chá estão todos inclusos.
Os guias de montanha falam inglês e francês.
Não — esse tour não aceita viajantes solteiros; há um número mínimo de participantes.
Os dois dias incluem transporte de ida e volta do hotel em Marrakech, guia de montanha experiente que fala inglês e francês durante todo o trekking, dois almoços (um piquenique), jantar no refúgio, café da manhã com café ou chá todas as manhãs — além de uma noite no refúgio do Toubkal, retornando de van para Marrakech após a descida.
“Tem certeza de que quer chá de hortelã antes da subida?” nosso guia Youssef sorriu para mim em Imlil, servindo-o mesmo assim. O ar estava rarefeito, mas cheirava à terra depois da chuva — ou talvez fossem os nervos. Saímos de Marrakech ainda meio sonolentos na van, e agora estávamos ali: mochilas conferidas, botas amarradas, o sol começando a iluminar as casas de pedra. Tentei agradecer em tamazight e ganhei uma risada de um senhor que guiava seu burro passando por nós. Tem algo nesses vilarejos berberes — crianças acenando, mulheres carregando pão enrolado em pano — que faz a gente se sentir acolhido e completamente estrangeiro ao mesmo tempo.
As primeiras horas da subida ao Toubkal foram quase suaves. Seguíamos trilhas de burro passando por nogueiras e pequenos riachos, com Youssef indicando quais picos pertenciam a quais famílias (não consegui decorar todos os nomes). O almoço foi pão e azeitonas sob uma lona branca perto do santuário de Sidi Chamhrouch — cabras por todo lado, sinos tilintando. Depois disso, a subida ficou mais íngreme; minhas pernas começaram a reclamar, mas a paisagem não parava de mudar: vales verdes lá embaixo, manchas de neve acima. No fim da tarde chegamos ao refúgio do Toubkal, a 3.200 metros. É simples — beliches, cobertores grossos, todo mundo meio queimado de sol e trocando histórias ao redor do chá doce. Dormi mal, e acho que não fui só eu; sonhos de altitude são estranhos.
Às 5 da manhã, o frio era tanto que dava pra ver a respiração no escuro. O café da manhã foi rápido — pão sírio e café — e ligamos as lanternas para a subida final. O caminho é cheio de pedras, às vezes até com gelo no verão; escorreguei uma vez, mas Youssef só assentiu como se isso fosse rotina (provavelmente é). O nascer do sol nos pegou quando superamos o refúgio e tudo virou dourado: cristas que se perdiam no horizonte, pequenos vilarejos lá embaixo, ainda na sombra. Três horas depois, estávamos no topo do Jebel Toubkal — a 4.167 metros — o vento batendo no rosto, mas, sinceramente? Senti um silêncio interno. Nada de vitória exagerada... mais uma sensação boa de pequenez.
Tiramos fotos (minhas mãos tremiam) e começamos a descida para o almoço no refúgio — tagine nunca pareceu tão saboroso. O caminho de volta para Imlil pareceu mais longo; talvez minhas pernas virassem gelatina, ou porque eu não queria que aquilo acabasse ainda. Quando finalmente voltamos para Marrakech, com a poeira subindo atrás da van, continuei pensando naquele nascer do sol nas montanhas Atlas. Às vezes ainda penso quando o barulho toma conta lá em casa.
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