Você vai atravessar dunas que mudam a cada passo com um guia local, nadar em lagoas cristalinas escondidas no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, compartilhar refeições com famílias nativas em vilarejos oásis e dormir em redes sob o céu aberto — experiências que ficam com você muito depois dos seus sapatos estarem limpos.
Esse trekking exige boa forma física por causa das longas caminhadas diárias (até 14 km) em dunas e terrenos irregulares.
Sim, o almoço está incluído todos os dias em restaurantes locais ou paradas nas comunidades ao longo do caminho.
Você dorme em redes (“redário”) nas vilas oásis como Baixa Grande e Rancharia todas as noites.
Sim, transfers privados em veículos com ar-condicionado estão incluídos de Barreirinhas até Atins e no final de Santo Amaro.
Não; não é recomendado para quem tem lesões na coluna, está grávida ou possui problemas cardíacos.
Sim; há várias paradas para banho em lagoas naturais dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
Sim; seu guia será um morador da região, que conhece bem tanto a paisagem quanto as comunidades do percurso.
Seu roteiro inclui transporte privado de barco e 4x4 de Barreirinhas quando necessário; todas as noites em redes tradicionais nas vilas oásis; almoços diários em restaurantes locais ou casas da comunidade; e acompanhamento de um guia experiente, morador da região, que conhece a fundo os Lençóis Maranhenses e seu povo.
Antes do sol nascer, alguém me entrega uma xícara de café doce. Ainda meio sonolento, nosso barco parte de Barreirinhas. O rio está calmo como um espelho, só o motor ronca e crianças gritam acenando na margem. Nosso guia, João, aponta para Vassouras — “Ilha dos Macacos”, ele diz — e logo vejo um lampejo de pelo marrom nas árvores. Paramos um pouco; tento dar uma banana para um macaco, mas ele só me olha como se eu fosse bobo (talvez eu seja). Depois seguimos para Caburé, onde a areia está quente mesmo com o céu nublado. Almoçamos peixe — fresquinho e salgadinho — com os pés enterrados na areia, enquanto João conta sobre as tempestades que remodelam tudo aqui todo ano.
Em Atins, entramos num 4x4 barulhento; o caminho é tão esburacado que me faz rir alto. Depois começamos a andar — nove quilômetros por dunas que parecem não ter fim, branquinhas como farinha, com lagoas azul-esverdeadas escondidas entre elas, como se alguém tivesse esquecido a caixa de tintas aqui. O vento muda tudo o tempo todo, então nunca sabemos o que vem pela frente. No fim da tarde, chegamos em Baixa Grande, um oásis com redes penduradas entre árvores tortas e um cheiro gostoso de churrasco no ar. O pôr do sol aqui não é silencioso — risadas de outros viajantes e conversas em português que eu entendo só de leve. Mas é bom só sentar e escutar.
O segundo dia é mais puxado: quatorze quilômetros até Rancharia. Minhas pernas reclamam, mas logo achamos outra lagoa — a água fresca é um alívio para a pele queimada de sol. João conhece os melhores lugares para fotos, mas também sabe quando deixar a gente só flutuar em silêncio. O almoço é simples, mas satisfatório; feijão, arroz e, se der sorte, um pouco de frango. À tarde, acabo conversando com Dona Maria sobre a infância dela aqui (ouço mais do que falo — meu português é ruim). Ela ri quando tento falar “obrigado” direito.
No último dia, acordamos cedo de novo; seguimos para a Lagoa do Cajueiro, que se curva como um ponto de interrogação e brilha verde sob o sol. Dez quilômetros a mais não parecem tão difíceis agora que meus pés já se acostumaram a andar na areia (vou tirar areia dos sapatos por semanas). Há uma paz estranha nesse vazio — só vento, passos e às vezes pássaros voando. Quando finalmente chegamos em Santo Amaro para o transporte de volta à civilização, uma parte de mim queria ficar mais uma noite na rede.
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